César Macedo explica: “Possuo outro emprego” e diz que realidade é de trabalho sem descanso
imagem do frame do video Procurado para esclarecer os questionamentos levantados a partir de seu relato na audiência pública e das publicações em suas redes sociais, o guarda municipal César Macedo afirmou que o valor recebido pela Guarda Civil Metropolitana não representa toda a sua renda e confirmou que atualmente possui outro emprego em uma mineradora em Corumbá.
Segundo Macedo, antes de ingressar na GCM, já havia sido empresário e servidor público. Ele afirma, porém, que sua situação financeira teria se deteriorado após o ingresso na corporação, com acúmulo de dívidas e necessidade de buscar outras atividades profissionais para conseguir manter suas despesas.
“Possuo outro emprego, numa mineradora em Corumbá. Já fui empresário e servidor público antes de ingressar na GCM. Desde meu ingresso, minha vida financeira vem desmoronando, dívidas acumuladas e atualmente preciso trabalhar muito fora do serviço público para pelo menos ter condições de me manter”, declarou.
O guarda também procurou contextualizar as imagens e momentos de lazer eventualmente publicados em suas redes sociais. De acordo com ele, sua rotina atual seria marcada por uma carga intensa de trabalho, inclusive com deslocamentos frequentes para Corumbá.
“Sou de família estruturada, minha noiva é oficial das Forças Armadas. A minha denúncia foi para todos os colegas. Eu consigo me virar como dá, a enorme maioria deles não”, afirmou.
Macedo também relatou que a rotina profissional estaria comprometendo até mesmo sua convivência pessoal. “Atualmente trabalho sem descansos, como relatei. Só pude desfrutar de duas noites com minha noiva este mês”, disse.
Segundo o guarda, ele estava a caminho da fazenda onde trabalha em Corumbá no momento em que respondeu aos questionamentos. Ele afirmou ainda que retornaria à cidade somente na quinta-feira à noite, teria plantão de sexta para sábado e, posteriormente, voltaria novamente ao trabalho em Corumbá.
“A minha situação está exaustiva para conseguir sobreviver. Porém, a enorme maioria dos colegas nem a oportunidade de trabalhar por fora, ainda que exaustos”, acrescentou.
O posicionamento muda parcialmente o contexto da discussão. O valor de aproximadamente R$ 820 mencionado no discurso como referência ao que efetivamente sobra do vencimento após descontos não seria, segundo o próprio guarda, sua renda total mensal, já que ele possui atividade profissional paralela.
Ao mesmo tempo, Macedo sustenta que justamente a necessidade de manter esse segundo trabalho demonstra a dificuldade enfrentada por ele e, principalmente, por outros integrantes da corporação que não possuem as mesmas possibilidades de buscar renda complementar.
Assim, a questão central deixa de ser simplesmente quanto César Macedo recebe da Prefeitura e passa a envolver um debate mais amplo: quanto efetivamente sobra do salário da GCM depois dos descontos e quanto um servidor precisa trabalhar fora da função pública para complementar sua renda?
A resposta de Macedo também reforça que publicações de viagens ou momentos de lazer nas redes sociais, isoladamente, não permitem concluir qual é a situação financeira de uma pessoa. No caso apresentado, o próprio servidor afirma possuir outra fonte de renda e atribui sua rotina intensa justamente à necessidade de complementar seus ganhos.
O debate, portanto, permanece aberto. De um lado, está a reivindicação por melhores condições salariais e valorização da Guarda Civil Metropolitana. Do outro, a necessidade de que os números sejam apresentados de forma completa, distinguindo salário bruto, descontos, valor líquido, outras fontes lícitas de renda e as despesas efetivamente suportadas pelo servidor.
No fim, o episódio revela uma discussão maior: se um guarda municipal precisa manter jornadas adicionais e trabalhar praticamente sem descanso para complementar sua renda, a questão não diz respeito apenas a César Macedo, mas pode representar um problema estrutural que merece ser analisado pelo poder público.
COMENTÁRIOS