De parceria com a Receita a “escândalo” fabricado? Polêmica sobre iPhones na UFMS reacende disputa política e levanta dúvidas sobre exageros nas críticas
Enquanto reclamações pontuais pedem apuração e eventual correção, iniciativa que viabilizou a destinação de aparelhos pela Receita Federal, com intermediação do senador Nelsinho Trad, também desperta debate sobre o uso político de episódios isolados e a n
Na política brasileira, muitas vezes uma boa notícia parece incomodar mais do que um problema. Basta surgir uma iniciativa de interesse público para que alguns se apressem em transformá-la em combustível para disputas eleitorais.
A recente polêmica envolvendo iPhones destinados à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) é um exemplo disso. Antes de qualquer julgamento precipitado, é importante destacar um fato relevante: os aparelhos foram disponibilizados por meio de uma parceria com a Receita Federal, que realiza a destinação legal de bens apreendidos, contando com a articulação do senador Nelsinho Trad para beneficiar a comunidade acadêmica.
Mais importante ainda: o caso que ganhou repercussão envolvendo um aparelho com defeito já teve solução. O iPhone que chegou sem condições de uso foi prontamente substituído, demonstrando que eventuais falhas podem ser corrigidas administrativamente sem que isso comprometa toda a iniciativa.
É natural que ocorram problemas pontuais em programas que envolvem equipamentos provenientes de apreensões ou processos de destinação patrimonial. O que não parece razoável é transformar um episódio isolado — especialmente quando já solucionado — em prova de suposta má-fé ou em argumento para desqualificar um projeto inteiro.
A crítica responsável deve cobrar transparência, eficiência e atendimento aos beneficiários. Mas também precisa reconhecer quando uma situação foi resolvida de forma adequada. Ignorar que o aparelho defeituoso foi trocado pode levar o público a uma percepção incompleta dos fatos.
Há uma diferença importante entre fiscalizar e construir uma narrativa. Fiscalizar significa apontar problemas e exigir soluções. Construir uma narrativa, por outro lado, pode significar amplificar um incidente já resolvido para produzir desgaste político.
Nesse contexto, a parceria que permitiu a destinação dos aparelhos merece ser analisada em seu conjunto. O objetivo foi colocar equipamentos à disposição da universidade e de seus beneficiários, aproveitando bens disponibilizados legalmente pela Receita Federal em vez de deixá-los sem utilidade pública.
Se surgirem novos problemas, eles devem ser apurados e corrigidos com a mesma agilidade. Mas quando um defeito já foi reconhecido e solucionado por meio da substituição do aparelho, o debate público também deve registrar esse desfecho.
A sociedade é melhor servida quando a informação é completa: nem escondendo falhas, nem ignorando as soluções adotadas para resolvê-las.

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