Há 10 anos, execução de Rafaat transformou disputa territorial em guerra na fronteira de MS
Fronteira virou uma praça de guerra com execução do narcotraficante brasileiro em 15 de junho de 2016
MIDIAMAX Na noite de 15 de junho de 2016, o narcotraficante brasileiro Jorge Rafaat Tounami, o “Rei da Fronteira”, dirigia seu veículo Hummer blindado quando foi abordado por um grupo de pessoas e executado com cerca de 16 tiros de metralhadora ponto 50.
A fronteira virou uma praça de guerra, a 338 quilômetros de Campo Grande. O tiroteio durou cerca de 25 minutos nas imediações do Mercado Municipal de Pedro Juan Caballero e deixou um clima de tensão entre os moradores.
Na época, os moradores mais próximos da fronteira de Ponta Porã com o Paraguai evitavam sair de casa e a região ganhou reforços na segurança com a presença do Exército Brasileiro. Na madrugada de 16 de junho de 2016, a loja do narcotraficante foi alvo de disparos de arma de fogo e incendiada.
A cinematográfica execução do narcotraficante brasileiro deu início a uma disputa pelo controle do tráfico de drogas que assombra a fronteira até hoje. Em fevereiro deste ano, líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) haviam decidido selar a paz em todo o Brasil.
Entretanto, meses depois, o PCC anunciou o fim da ‘paz’ com o CV. O rompimento aconteceu após dezenas de assassinatos por “pura banalidade”. A facção esclareceu que houve um consenso entre as duas organizações para pôr fim à aliança.
Aos 56 anos, conhecido como “rei da fronteira”, o brasileiro filho de libaneses mandava no contrabando de armas e drogas na cidade de cerca de 200 mil habitantes que funciona como entreposto da “rota caipira”, principal via de deslocamento ilegal desses dois produtos para o Brasil.
Rafaat vendia tanto para o PCC (Primeiro Comando da Capital) quanto para o CV (Comando Vermelho), as duas maiores facções criminosas do país. A morte do traficante, que tinha também o apelido “carinhoso” de Sadam, desorganizou esse comércio e inaugurou um período de intensa violência entre esses grupos.
Até então, as duas facções operavam com um pacto de não agressão entre elas, mas o assassinato em Pedro Juan azedou de vez uma relação que já vinha estremecida e abriu uma fase de disputas sangrentas que gerou recorde de homicídios no Brasil, em 2017, principalmente no Norte e Nordeste. As consequências do assassinato ao lado da Paróquia São Geraldo, há quase dez anos, são presentes até hoje na dinâmica do tráfico em Mato Grosso do Sul.
Rei da fronteira
Jorge Rafaat Tounami tinha dupla nacionalidade e era formado em Direito antes de se radicalizar no comércio de Pedro Juan Caballero em 1987.
Rafaat se aliou a Luiz Carlos da Rocha, o “Cabeça Branca”, e após a união foi montada uma rede logística para escoar a cocaína da Bolívia e do Peru que entrava no Brasil através da fronteira de MS.
Em 2014, Rafaat chegou a ser condenado pela Justiça Federal brasileira a 47 anos de prisão em regime fechado. Como Rafaat era visto como um empecilho para outros criminosos na fronteira, PCC e CV se uniram contra o Rei da Fronteira.
O plano foi arquitetado por Elton Leonel Rumich da Silva, o “Galã” – ele foi apontado como quem dirigiu a caminhonete com o armamento -, em parceria com o narcotraficante Jarvis Chimenes Pavão, que na época cumpria pena no presídio de Tacumbú, no Paraguai.

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