Cinco Vereadores votam contra reajuste de 4,39% e deixam servidores no centro de disputa Política
Ao rejeitarem proposta considerada viável pelo Executivo, parlamentares apostam em índice maior, mas sem apresentar solução financeira para sua implementação
Da esquerda para a direita, os vereadores Jean Ferreira (PT), Marquinhos Trad (PV), Maicon Nogueira (PP), Landmark Ferreira Rios (PT) e Luiza Ribeiro (PT), que votaram contra o reajuste de 4,39% aprovado em primeira votação para cerca de 9,3 mil servido Na sessão que discutiu o reajuste salarial dos servidores municipais de Campo Grande, cinco vereadores acabaram se posicionando contra o projeto que concede aumento de 4,39% aos funcionários efetivos, aposentados e pensionistas pagos pelo Tesouro Municipal. Foram eles: Landmark Ferreira Rios, Luiza Ribeiro, Jean Ferreira, Marquinhos Trad e Maicon Nogueira.
Embora os parlamentares tenham defendido um reajuste de 17,45%, reivindicado por entidades sindicais, o resultado prático de seus votos foi a rejeição da proposta que previa um aumento escalonado de 4,39%, dividido em duas parcelas: 2,20% em agosto de 2026 e 2,19% em março de 2027.
Para muitos servidores, a percepção inevitável é simples: no momento da votação, os cinco vereadores votaram contra o reajuste que estava sobre a mesa.
A defesa de um índice superior faz parte do debate político e pode ser considerada legítima. No entanto, durante a tramitação do projeto, não foi apresentada uma proposta concreta indicando de onde sairiam os recursos necessários para custear um aumento quase quatro vezes maior do que o previsto pelo Executivo.
Esse contraste entre intenção e viabilidade colocou em evidência um dilema recorrente da administração pública: é relativamente fácil defender despesas maiores; mais complexo é demonstrar como financiá-las sem comprometer o equilíbrio das contas municipais.
O projeto aprovado em primeira votação beneficia cerca de 9,3 mil servidores efetivos, aposentados e pensionistas vinculados ao Tesouro Municipal, excluindo categorias que possuem regras remuneratórias próprias, como professores da rede municipal, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e outras carreiras com legislação específica.
Politicamente, a decisão dos cinco vereadores pode ser interpretada como uma tentativa de apoiar uma reivindicação mais ampla do funcionalismo. Por outro lado, seus críticos sustentam que votar contra um reajuste financeiramente considerado exequível, em favor de outro sem comprovação pública de viabilidade orçamentária, pode transformar uma demanda legítima em uma promessa de difícil execução.
No fim, o servidor público convive com uma realidade objetiva: o aumento que faz diferença é aquele que efetivamente chega ao contracheque. Entre discursos, negociações e disputas políticas, permanece a expectativa de que futuras decisões conciliem valorização profissional com responsabilidade fiscal e sustentabilidade das contas públicas.

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