Coerência em tempos de oportunismo: Tarcísio crava São Paulo como prioridade
Mesmo alinhado ao bolsonarismo, governador reafirma compromisso com o estado, mantém lealdade sem submissão e sinaliza maturidade política no jogo de 2026
governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) Há políticos que vivem de ambiguidade. Outros, mais raros, fazem questão de deixar tudo às claras. O governador Tarcísio de Freitas escolheu a segunda opção. Mesmo alinhado nacionalmente ao campo bolsonarista, tratou de cravar, sem margem para ilações, que seu foco é São Paulo — e apenas São Paulo.
“Desde 2023 meu interesse é ficar em SP”, afirmou, reforçando um compromisso que, em tempos de oportunismo eleitoral, soa quase como heresia. Tarcísio fala em coerência, gratidão e responsabilidade com o estado mais rico do país. Palavras simples, mas cada vez mais raras num ambiente político em que projetos pessoais costumam atropelar mandatos em andamento.
A declaração ganhou ainda mais peso pelo contexto. A visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada nesta quinta-feira (29), no 19º Batalhão da PMDF — a chamada Papudinha — foi a primeira desde que Bolsonaro passou a cumprir pena em regime fechado, após a condenação no caso das joias. O último encontro entre os dois havia ocorrido ainda em agosto de 2023, durante o período de prisão domiciliar.
Autorizada judicialmente, a visita seguiu todos os protocolos impostos pelo sistema prisional, com permanência até as 13h. Um encontro anterior, previsto para o dia 22, acabou não acontecendo por alegados compromissos de agenda do governador — algo que, na política, sempre vira munição para especulação. Ainda assim, o gesto agora é claro e calculado.
Tarcísio tenta — e até aqui consegue — fazer algo que poucos líderes brasileiros dominam: manter lealdade sem submissão, apoio sem dependência, identidade própria sem romper com sua base. Ao reafirmar o apoio ao senador Flávio Bolsonaro, enquanto consolida sua trajetória administrativa em São Paulo, o governador sinaliza maturidade política e leitura correta do tabuleiro.
Num país acostumado a salvadores da pátria improvisados, talvez o maior ato de coragem seja este: cumprir o mandato, honrar o eleitor e resistir à tentação do salto no escuro. A política agradece. O eleitor atento, mais ainda.

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