Grupo Casa Bugre aposta em inovação, tecnologia e gestão para enfrentar novos desafios do agronegócio
Empresa participou do 15º Congresso Nacional da Andav, em São Paulo, e apresentou soluções em nutrição vegetal, bioinsumos, eficiência fisiológica e agricultura regenerativa
Da esquerda pra direita – Everton Molina (Casa Bugre), Flavio Maia (Casa Bugre) , Diogo Luchiari (Macfor), e Marcelo Rodrigues (Krilltech). O agronegócio brasileiro atravessa um período de transformação marcado pela busca por maior eficiência, novas tecnologias e, ao mesmo tempo, por desafios financeiros que pressionam produtores, distribuidores e demais elos da cadeia. Esse cenário esteve no centro das discussões do 15º Congresso Nacional da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), realizado entre os dias 11 e 13 de agosto, em São Paulo.
Com o tema “Agroeconomia brasileira: reflexões para o futuro”, o evento reuniu mais de 18 mil participantes, distribuídos em quatro pavilhões e uma área de exposição superior a 24 mil metros quadrados, com mais de 250 marcas. Crédito, gestão, inovação, bioenergia, mercado, reforma tributária e novas tecnologias estiveram entre os assuntos debatidos.
Entre as empresas presentes esteve o Grupo Casa Bugre, que completa 45 anos de atuação e participou do congresso ao lado de Krilltech, Agrilife Solutions e Terrus Regeneração. O grupo apresentou um portfólio voltado à eficiência produtiva e à sustentabilidade, com soluções nas áreas de nutrição vegetal, bioinsumos, eficiência fisiológica e agricultura regenerativa.
Ciência e tecnologia no campo
Para o CEO do Grupo Casa Bugre, Flavio Maia, a participação na Andav foi uma oportunidade para aproximar as novas tecnologias das necessidades práticas enfrentadas pelos produtores rurais.
Entre os destaques esteve a Agrilife Solutions, que apresentou o conceito de Nutrifisiologia, abordagem que procura integrar fisiologia vegetal e nutrição para ampliar o aproveitamento dos nutrientes e tornar o manejo mais eficiente.
A empresa também levou soluções à base de microalgas, apresentadas como biopotencializadores e bioestimulantes, além do VacStress, desenvolvido para auxiliar culturas de soja e milho diante de situações de estresse abiótico.
Já a Krilltech apresentou tecnologias baseadas em nanopartículas de carbono, direcionadas à atuação sobre processos do metabolismo vegetal e mecanismos relacionados à fotossíntese e à geração de energia.
A Terrus Regeneração, por sua vez, apresentou uma plataforma de agricultura regenerativa baseada na análise da tipologia de argila, buscando transformar informações sobre o solo em recomendações práticas para apoiar decisões no campo.
Rentabilidade passa a dividir espaço com produtividade
Um dos pontos que ganharam destaque durante o congresso foi a necessidade de conciliar produtividade, rentabilidade e responsabilidade ambiental.
Segundo Everton Campos, as exigências do mercado estão mudando e as soluções para o campo precisam gerar valor não apenas em produtividade, mas também no resultado econômico do produtor e da distribuição.
A avaliação acompanha uma transformação no próprio conceito de eficiência agrícola: produzir mais continua sendo importante, mas o desempenho econômico da atividade e os impactos ambientais também passaram a ocupar espaço central nas decisões.
Crédito caro e pressão financeira preocupam o setor
Se de um lado a tecnologia abre novas possibilidades, de outro o cenário financeiro impõe cautela.
Durante o AgriforLife Talks, podcast gravado durante a Andav, Ezequiel Wilbert, CEO da Safegold, destacou a pressão provocada pelo crédito mais caro, margens reduzidas e maior necessidade de capital de giro.
O executivo também chamou atenção para o crescimento das recuperações judiciais no agronegócio. Segundo ele, embora esse movimento ainda represente uma parcela pequena diante da dimensão do setor, funciona como um sinal de alerta sobre as dificuldades enfrentadas por empresas e produtores.
Nesse ambiente, a recomendação apresentada é voltar aos fundamentos da gestão: conhecer custos e margens, melhorar a qualidade das informações financeiras, controlar o ciclo financeiro e avaliar o impacto do endividamento sobre a geração de caixa.
A mensagem é direta: crescer em faturamento não significa necessariamente crescer em saúde financeira.
Tecnologia também muda o financiamento
A transformação não está restrita à produção. A relação entre tecnologia, crédito e comercialização também vem ganhando novos formatos.
Francisco Martinez, diretor-executivo do Broto, apresentou durante o congresso o Barter Broto, solução destinada a digitalizar operações de troca de grãos por insumos. A proposta permite ao produtor adquirir os insumos para a safra utilizando parte da produção futura como forma de pagamento, com integração ao Banco do Brasil.
Outro debate abordou a aproximação entre fabricantes, fornecedores, revendas, instituições financeiras e empresas especializadas em soluções de crédito.
Ruy de Toledo Piza, sócio do FAS Advogados, destacou o crescimento da interação entre esses diferentes agentes e a busca por mecanismos financeiros mais adequados às características de cada negócio.
Inteligência artificial e agricultura regenerativa no radar
Além das questões financeiras, a Andav evidenciou a velocidade da transformação tecnológica no campo.
Entre os movimentos destacados estiveram o avanço das soluções biológicas, dos biodefensivos e dos bioprodutos, além da crescente utilização da inteligência artificial no agronegócio.
Para o Grupo Casa Bugre, esse cenário reforça a importância de uma distribuição capaz de fazer mais do que conectar produtos e produtores. A tendência apontada no congresso é de um distribuidor cada vez mais estratégico, atuando na conexão entre indústria, ciência, tecnologia, crédito e campo.
O recado deixado pela Andav é bastante claro: o agronegócio brasileiro continuará sendo uma potência, mas não poderá depender apenas da velha fórmula de produzir mais.
Tecnologia, ciência, gestão financeira e sustentabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em elementos fundamentais da competitividade. O produtor que ignorar essa mudança poderá descobrir, da maneira mais cara, que faturamento não paga dívida e produtividade sem margem não sustenta negócio.
Nesse cenário, iniciativas como as apresentadas pelo Grupo Casa Bugre mostram que a disputa pelo futuro do agro também acontece nos laboratórios, na tecnologia, na gestão e na capacidade de transformar conhecimento científico em resultado dentro da propriedade rural.
O campo continua produzindo. A diferença é que, cada vez mais, quem quiser permanecer competitivo terá de produzir com inteligência.
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