Passado volta ao centro do debate: Luiza Ribeiro enfrenta questionamentos antes da disputa pela Assembleia
Candidata a deputada estadual pelo PT, vereadora carrega episódios políticos antigos e vínculos familiares que voltam ao radar eleitoral; fatos, investigações e versões precisam ser separados
A candidatura da vereadora Luiza Ribeiro (PT) à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul recoloca no debate eleitoral não apenas suas propostas para o futuro, mas também episódios de sua trajetória política que permanecem registrados em documentos e reportagens.
Luiza Ribeiro é candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com candidatura deferida e número 13700.
E quando um político pede ao eleitor uma nova responsabilidade pública, é natural que seu passado político e as circunstâncias que marcaram sua trajetória sejam colocados sob escrutínio.
Um episódio antigo
Em 2015, quando ainda era vereadora, Luiza Ribeiro prestou depoimento espontâneo ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), no contexto das investigações relacionadas à Operação Coffee Break.
Segundo reportagens publicadas na época, ela mencionou a existência de um suposto “mensalinho” envolvendo vereadores, mas afirmou não possuir provas sobre as acusações.
O episódio provocou forte reação na Câmara Municipal de Campo Grande e resultou em representação na Comissão de Ética contra a parlamentar.
A Comissão de Ética posteriormente arquivou a representação, após considerar a defesa apresentada pela vereadora e sua retratação sobre as declarações.
Portanto, o registro histórico é claro: houve acusação, houve representação e houve posterior arquivamento. Isso não significa que a vereadora tenha sido condenada por aquelas acusações.
Mas, em uma campanha eleitoral, o eleitor pode questionar como episódios dessa natureza influenciaram sua trajetória política e quais lições foram tiradas daquele período.
O nome de Flávio
Outro ponto que volta ao debate é a trajetória profissional de Flávio da Costa Britto Neto, marido de Luiza Ribeiro.
Flávio Britto foi secretário estadual de Saúde e, posteriormente, secretário-adjunto da Casa Civil. Em novembro de 2023, foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Turn Off, conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), com participação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Gaeco.
Na ocasião, Britto prestou depoimento e deixou o Gaeco afirmando que os esclarecimentos necessários haviam sido prestados.
A investigação envolvia contratos públicos nas áreas de Saúde e Educação que, segundo as apurações divulgadas à época, somavam aproximadamente R$ 68 milhões.
Reportagem do Contraponto MS, baseada na investigação do Ministério Público, afirmou que Britto era apontado como envolvido em suposta fraude relacionada a um contrato de aproximadamente R$ 12,16 milhões com a empresa Isomed Diagnósticos.
É fundamental registrar: investigação, acusação ou citação em procedimento investigatório não equivalem a condenação criminal.
Celular apreendido
O caso ganhou novo capítulo em novembro de 2024.
Segundo O Jacaré, o juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, determinou a devolução do telefone celular de Flávio Britto após a conclusão da perícia.
O aparelho havia sido apreendido durante a Operação Turn Off.
O fato é relevante porque demonstra que houve efetivamente uma investigação judicializada e medidas de investigação envolvendo o então secretário-adjunto.
Ao mesmo tempo, a devolução do aparelho após a perícia não deve ser apresentada como prova de culpa ou inocência sobre todo o conteúdo investigado.
A pergunta eleitoral
É justamente nesse ponto que o debate precisa ser colocado.
Luiza Ribeiro não é Flávio Britto.
A eventual responsabilidade jurídica de uma pessoa não pode ser automaticamente transferida para outra simplesmente por existir vínculo familiar.
Mas também é legítimo que o eleitor questione uma candidata sobre sua trajetória, seus posicionamentos e os episódios políticos que marcaram sua vida pública.
Principalmente quando essa candidata busca agora uma cadeira na Assembleia Legislativa e pretende ampliar sua atuação política.
A pergunta que fica é: qual é a avaliação que Luiza Ribeiro faz hoje dos episódios que marcaram sua trajetória política e das investigações que atingiram pessoas de seu círculo familiar e político?
Mais do que acusações, o eleitor precisa de respostas.
Direito de resposta
O Regional Notícia procurará preservar o contraditório e o direito de resposta.
Luiza Ribeiro, Flávio Britto e demais pessoas citadas nesta reportagem poderão apresentar esclarecimentos, documentos ou contestar qualquer informação publicada.
O espaço permanecerá aberto para manifestação dos envolvidos.
Esta reportagem não afirma que Luiza Ribeiro tenha cometido crime ou que tenha qualquer responsabilidade pelos fatos investigados na Operação Turn Off. O objetivo é apresentar fatos registrados publicamente e levantar questionamentos de interesse eleitoral, permitindo que os próprios envolvidos apresentem suas versões.

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