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Campo Grande,06/11/2026

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Feminicídios em MS: 23 das 29 vítimas nunca haviam registrado boletim de ocorrência

Dado apresentado pela Polícia Civil em podcast gravado em Campo Grande expõe o desafio de identificar situações de risco e oferecer proteção antes que a violência se agrave.


Feminicídios em MS: 23 das 29 vítimas nunca haviam registrado boletim de ocorrência A delegada Priscilla Anuda Quarti participou de um podcast em Campo Grande sobre a subnotificação da violência contra mulheres. Fotos — Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Das 29 vítimas de feminicídio registradas em Mato Grosso do Sul em 2026, 23 nunca haviam registrado boletim de ocorrência, segundo balanço divulgado pela Polícia Civil na quinta-feira (5). O número, que representa cerca de oito em cada dez vítimas, foi apresentado pela delegada Priscilla Anuda Quarti durante um podcast gravado na sede do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis/MS), em Campo Grande. 

Coordenadora do Núcleo Institucional de Cidadania da Polícia Civil, a delegada apontou a subnotificação como um dos principais obstáculos à prevenção. Quando uma situação de violência fica fora do radar das autoridades, a rede de proteção tem menos elementos para avaliar o risco e agir. Durante a conversa, Quarti também chamou atenção para formas de violência que podem passar despercebidas, como a psicológica, a moral, a sexual e a patrimonial. 

Qualquer delegacia deve prestar o primeiro atendimento

Segundo a Polícia Civil, o protocolo estadual de atendimento a meninas e mulheres vítimas de violência orienta que a primeira unidade procurada faça o acolhimento, mesmo quando se trata de uma delegacia comum. O documento prevê escuta qualificada, identificação de fatores de risco e adoção de providências urgentes de proteção. 

O dado apresentado no podcast põe uma cobrança concreta sobre o poder público. A porta de entrada precisa funcionar quando a mulher consegue pedir ajuda. Isso passa por acolher o relato, avaliar a urgência e encaminhar a vítima à rede de proteção já no primeiro atendimento.

Onde buscar ajuda — Em caso de emergência, ligue 190. Para orientação, informações sobre a rede de atendimento ou encaminhamento de denúncias, ligue 180.




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