Banco Master: fatos começam a colocar Camilla Nascimento no lugar correto da história
Entrevista com Marcos Tabosa reforça que aplicação de R$ 1,2 milhão passou pelo Comitê de Investimentos e ocorreu em um cenário em que o Banco Master constava na lista oficial do Ministério da Previdência
O caso envolvendo a aplicação de R$ 1,2 milhão do IMPCG no Banco Master ganhou um novo capítulo — e, desta vez, os fatos ajudam a colocar a atual vice-prefeita de Campo Grande, Camilla Nascimento de Oliveira, no devido contexto.
Camilla comandava o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande quando a aplicação foi realizada, em abril de 2024. Mas reduzir toda a operação à figura da então presidente do IMPCG é ignorar como funciona a estrutura de decisão de investimentos de um RPPS.
Em entrevista, o atual presidente do IMPCG, Marcos Cesar Malaquias Tabosa, explica que a aplicação passou pelo Comitê de Investimentos, órgão responsável por analisar e deliberar sobre as aplicações financeiras do instituto.
E existe outro ponto documental que não pode ser ignorado.
Banco Master estava na lista oficial
Em abril de 2024, período em que ocorreu a aplicação, o Ministério da Previdência Social mantinha uma lista exaustiva de instituições financeiras que atendiam aos requisitos previstos na Resolução CMN nº 4.963/2021.
Na versão publicada naquele período, aparece a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, integrante do conglomerado Banco Master.
Ou seja: não estamos falando de uma instituição que simplesmente apareceu do nada no radar do instituto.
Havia um marco regulatório federal estabelecendo quais instituições atendiam aos requisitos mínimos previstos para as aplicações dos RPPS.
O próprio Ministério da Previdência explica que essa lista era atualizada com base em informações do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários.
Camilla não decidiu sozinha
É justamente neste ponto que a narrativa precisa ser tratada com responsabilidade.
Camilla era a presidente do IMPCG, mas isso não significa que uma aplicação de R$ 1,2 milhão fosse uma decisão pessoal e isolada da presidente.
O investimento passou pelo Comitê de Investimentos, dentro da estrutura institucional do IMPCG.
A documentação oficial do município demonstra, inclusive, que Camilla já exercia a presidência do instituto naquele período e participava da estrutura de gestão previdenciária.
Portanto, atribuir automaticamente a ela uma suposta responsabilidade individual pelo investimento seria simplificar uma decisão que envolve estrutura técnica, comitê, procedimentos administrativos e regras específicas para os RPPS.
O próprio Ministério faz uma ressalva importante
Existe, sim, uma questão que precisa ser analisada: estar na lista do Ministério não significava que o Governo Federal estivesse recomendando aquele investimento.
O próprio Ministério faz essa ressalva.
Mas essa informação também precisa ser apresentada de maneira completa: a lista significava que a instituição atendia a determinados requisitos normativos mínimos.
A avaliação final de risco, segurança, liquidez e adequação da aplicação permanecia sob responsabilidade do próprio RPPS.
É justamente por isso que a apuração precisa olhar para todo o processo, e não procurar um único nome para carregar sozinho uma decisão institucional.
E o dinheiro dos servidores?
Outro fato relevante é que o IMPCG conseguiu assegurar judicialmente a recuperação dos R$ 1,2 milhão aplicados no Banco Master, além de mais de R$ 227 mil em rendimentos, segundo informações divulgadas pelo próprio instituto.
A atual gestão adotou medidas judiciais depois da liquidação do banco para proteger o patrimônio previdenciário.
O dado desmonta qualquer tentativa de apresentar o episódio como se o dinheiro simplesmente tivesse desaparecido.
Ao contrário: houve atuação institucional para preservar o patrimônio dos servidores municipais.
A defesa de Camilla passa pelos documentos
Camilla Nascimento não precisa ser defendida por discurso político.
Ela precisa ser defendida pelos fatos.
A aplicação ocorreu em abril de 2024. O Banco Master estava relacionado na documentação oficial do Ministério da Previdência. A decisão passou pelo Comitê de Investimentos. E a estrutura de um RPPS não transforma seu presidente em responsável único por cada decisão de investimento.
Além disso, a própria trajetória de Camilla no IMPCG não começou nem terminou com o episódio Banco Master. Ela ocupou a presidência do instituto e posteriormente foi eleita vice-prefeita de Campo Grande, assumindo em 2025 a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania.
O caso merece investigação, transparência e esclarecimentos.
Mas investigar não é condenar.
E transformar Camilla Nascimento em uma espécie de responsável solitária por uma aplicação institucional é uma narrativa que não se sustenta quando os documentos começam a ser colocados sobre a mesa.
Se houve erro, que se identifique exatamente quem decidiu, quem analisou, quais documentos foram produzidos e quais procedimentos foram cumpridos.
Mas se o objetivo é fazer justiça aos fatos, é preciso reconhecer também que, naquele momento, o Banco Master estava formalmente inserido no universo de instituições reconhecidas nos critérios regulatórios do Ministério da Previdência.
No fim das contas, a pergunta correta não é simplesmente “quem era a presidente do IMPCG?”.
A pergunta correta é:
“Como foi tomada a decisão, quem participou dela e quais eram as informações disponíveis naquele momento?”
É essa diferença entre apuração séria e caça a culpados que precisa prevalecer.

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