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Campo Grande,26/08/2026

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Cassy Monteiro se diz de direita, mas campanha levanta dúvidas sobre alinhamento com o projeto do PL

Candidata relativiza responsabilidade de Lula em publicação e, nas peças analisadas, não destaca Flávio Bolsonaro nem Reinaldo Azambuja


Cassy Monteiro se diz de direita, mas campanha levanta dúvidas sobre alinhamento com o projeto do PL

A campanha da candidata a deputada federal Cassy Monteiro (PL) começa a chamar atenção por uma contradição que merece ser esclarecida aos eleitores de direita em Mato Grosso do Sul. Embora a candidata se apresente como conservadora e vinculada ao campo político da direita, uma publicação recente e os materiais eleitorais analisados pela reportagem levantam questionamentos sobre seu efetivo alinhamento com o projeto nacional e estadual do PL.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Cassy apresenta uma lista com presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores e, na sequência, afirma: “E ainda querem que você acredite que o presidente é o único problema do Brasil”.


A frase, embora não cite nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode ser interpretada como uma tentativa de ampliar a responsabilidade pelos problemas nacionais para além do Palácio do Planalto. É legítimo cobrar governadores, parlamentares e prefeitos, evidentemente. A questão política, porém, é outra: qual é a mensagem que uma candidata do PL pretende transmitir ao eleitorado conservador ao adotar esse discurso durante uma eleição nacional?

Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja ficam fora das peças analisadas

Outro ponto que merece explicação está nos materiais de campanha atribuídos à candidata.

Nas peças analisadas pela reportagem, não aparecem o nome, a imagem ou o número de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Também não aparece Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL em Mato Grosso do Sul e candidato da legenda ao Senado.

Em uma das peças, Cassy aparece ao lado do candidato Davierson Matos, enquanto outro material destaca exclusivamente seu nome e número.

É importante deixar claro: não há ilegalidade, por si só, em uma candidatura proporcional não apresentar em todas as suas peças os candidatos majoritários da legenda. A legislação eleitoral não transforma a propaganda individual em obrigação automática de divulgação de todos os integrantes da chapa.

O questionamento, portanto, é eminentemente político e eleitoral.

Se Cassy pretende conquistar votos identificados com a direita e utiliza a estrutura partidária do PL, por que seus materiais analisados não evidenciam maior conexão com os principais nomes do projeto eleitoral da legenda?

Conservadora no discurso, independente na estratégia?

A própria apresentação política de Cassy ajuda a alimentar o debate. A candidata se identifica nas redes sociais como cristã e conservadora e destaca apoio de uma das principais lideranças da direita nacional, Nikolas Ferreira.

Mas surge uma questão legítima: o projeto político de Cassy está alinhado ao PL nacional e ao PL de Mato Grosso do Sul ou a candidata pretende construir uma trajetória eleitoral própria, utilizando a legenda apenas como plataforma partidária?

A dúvida ganha força quando se colocam lado a lado três elementos: a identificação da candidata com a direita, a publicação que relativiza a responsabilidade presidencial pelos problemas do país e a ausência, nas peças analisadas, de Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja.

Nenhum desses fatos, isoladamente, permite concluir que Cassy tenha rompido politicamente com o projeto do PL. Mas, juntos, são suficientes para justificar uma pergunta pública e objetiva ao eleitorado.

O eleitor quer saber

A política também é feita de símbolos. Para o eleitor conservador, a presença — ou ausência — de determinados nomes em uma campanha pode representar posicionamento, estratégia ou simplesmente uma escolha de comunicação.

Por isso, a pergunta que fica é direta:

Cassy Monteiro pretende caminhar efetivamente ao lado do projeto nacional do PL e da candidatura de Flávio Bolsonaro, além de apoiar o projeto estadual liderado por Reinaldo Azambuja, ou seguirá uma estratégia eleitoral própria?

E existe ainda uma provocação que certamente será feita por parte do eleitorado de direita:

seria Cassy Monteiro uma nova “Soraya Thronicke”, caso venha a adotar uma trajetória política diferente daquela esperada de uma candidatura construída dentro do campo conservador?

A comparação, evidentemente, é uma provocação política, não uma afirmação de que as trajetórias sejam iguais.

O Regional Notícia mantém o compromisso com o contraditório e o direito de resposta. Cassy Monteiro está convidada a esclarecer o objetivo da publicação sobre a responsabilidade presidencial e explicar sua estratégia de comunicação eleitoral, especialmente quanto à ausência de Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja nos materiais analisados pela reportagem.

O espaço permanece aberto para manifestação da candidata.




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