Cassy Monteiro se diz de direita, mas campanha levanta dúvidas sobre alinhamento com o projeto do PL
Candidata relativiza responsabilidade de Lula em publicação e, nas peças analisadas, não destaca Flávio Bolsonaro nem Reinaldo Azambuja
A campanha da candidata a deputada federal Cassy Monteiro (PL) começa a chamar atenção por uma contradição que merece ser esclarecida aos eleitores de direita em Mato Grosso do Sul. Embora a candidata se apresente como conservadora e vinculada ao campo político da direita, uma publicação recente e os materiais eleitorais analisados pela reportagem levantam questionamentos sobre seu efetivo alinhamento com o projeto nacional e estadual do PL.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Cassy apresenta uma lista com presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores e, na sequência, afirma: “E ainda querem que você acredite que o presidente é o único problema do Brasil”.

A frase, embora não cite nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode ser interpretada como uma tentativa de ampliar a responsabilidade pelos problemas nacionais para além do Palácio do Planalto. É legítimo cobrar governadores, parlamentares e prefeitos, evidentemente. A questão política, porém, é outra: qual é a mensagem que uma candidata do PL pretende transmitir ao eleitorado conservador ao adotar esse discurso durante uma eleição nacional?
Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja ficam fora das peças analisadas
Outro ponto que merece explicação está nos materiais de campanha atribuídos à candidata.
Nas peças analisadas pela reportagem, não aparecem o nome, a imagem ou o número de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Também não aparece Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL em Mato Grosso do Sul e candidato da legenda ao Senado.
Em uma das peças, Cassy aparece ao lado do candidato Davierson Matos, enquanto outro material destaca exclusivamente seu nome e número.
É importante deixar claro: não há ilegalidade, por si só, em uma candidatura proporcional não apresentar em todas as suas peças os candidatos majoritários da legenda. A legislação eleitoral não transforma a propaganda individual em obrigação automática de divulgação de todos os integrantes da chapa.
O questionamento, portanto, é eminentemente político e eleitoral.
Se Cassy pretende conquistar votos identificados com a direita e utiliza a estrutura partidária do PL, por que seus materiais analisados não evidenciam maior conexão com os principais nomes do projeto eleitoral da legenda?
Conservadora no discurso, independente na estratégia?
A própria apresentação política de Cassy ajuda a alimentar o debate. A candidata se identifica nas redes sociais como cristã e conservadora e destaca apoio de uma das principais lideranças da direita nacional, Nikolas Ferreira.
Mas surge uma questão legítima: o projeto político de Cassy está alinhado ao PL nacional e ao PL de Mato Grosso do Sul ou a candidata pretende construir uma trajetória eleitoral própria, utilizando a legenda apenas como plataforma partidária?
A dúvida ganha força quando se colocam lado a lado três elementos: a identificação da candidata com a direita, a publicação que relativiza a responsabilidade presidencial pelos problemas do país e a ausência, nas peças analisadas, de Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja.
Nenhum desses fatos, isoladamente, permite concluir que Cassy tenha rompido politicamente com o projeto do PL. Mas, juntos, são suficientes para justificar uma pergunta pública e objetiva ao eleitorado.
O eleitor quer saber
A política também é feita de símbolos. Para o eleitor conservador, a presença — ou ausência — de determinados nomes em uma campanha pode representar posicionamento, estratégia ou simplesmente uma escolha de comunicação.
Por isso, a pergunta que fica é direta:
Cassy Monteiro pretende caminhar efetivamente ao lado do projeto nacional do PL e da candidatura de Flávio Bolsonaro, além de apoiar o projeto estadual liderado por Reinaldo Azambuja, ou seguirá uma estratégia eleitoral própria?
E existe ainda uma provocação que certamente será feita por parte do eleitorado de direita:
seria Cassy Monteiro uma nova “Soraya Thronicke”, caso venha a adotar uma trajetória política diferente daquela esperada de uma candidatura construída dentro do campo conservador?
A comparação, evidentemente, é uma provocação política, não uma afirmação de que as trajetórias sejam iguais.
O Regional Notícia mantém o compromisso com o contraditório e o direito de resposta. Cassy Monteiro está convidada a esclarecer o objetivo da publicação sobre a responsabilidade presidencial e explicar sua estratégia de comunicação eleitoral, especialmente quanto à ausência de Flávio Bolsonaro e Reinaldo Azambuja nos materiais analisados pela reportagem.
O espaço permanece aberto para manifestação da candidata.


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