Defesa de Carlos Bernardo contesta repercussão de busca e apreensão e cobra apuração individualizada
Advogado afirma que candidato não teve acesso integral à investigação e sustenta que eventual responsabilidade deve ser individualizada
A defesa do empresário e candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul Aparecido Carlos Bernardo divulgou nota à imprensa nesta sexta-feira (18) para contestar informações divulgadas após uma operação de busca e apreensão realizada no dia anterior, 17 de setembro, em uma propriedade rural localizada na região de Porto Murtinho, na faixa de fronteira do Estado.
Assinada pelo advogado Luiz Renê Gonçalves do Amaral, OAB/MS nº 9.632, a manifestação afirma que a defesa ainda não teve acesso à integralidade dos elementos reunidos no procedimento investigatório e que já solicitou acesso à autoridade policial e ao Juízo Federal da 5ª Vara de Campo Grande.
Segundo o advogado, Carlos Bernardo nega qualquer participação, autorização ou tolerância em relação a eventuais irregularidades que possam ter sido identificadas na propriedade.
A defesa também afirma que o empresário confia na atuação das instituições responsáveis pela investigação e que tem interesse no esclarecimento completo dos fatos, com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
Defesa rejeita hipótese de exploração laboral
Um dos pontos destacados na nota diz respeito às condições oferecidas aos trabalhadores da propriedade rural.
De acordo com a defesa, o imóvel possui atualmente quase 30 colaboradores, que receberiam quatro refeições diárias, preparadas por profissionais contratados especificamente para essa finalidade.
O advogado também afirma que os trabalhadores contam com limpeza diária, estrutura sanitária, alojamentos climatizados, banheiros independentes e períodos de descanso durante a jornada.
Com base nessas informações, a defesa sustenta que não haveria fundamento para associar Carlos Bernardo a eventual exploração laboral.
A existência ou não de irregularidades trabalhistas, contudo, deverá ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela apuração.
Armamento encontrado não pertenceria ao empresário, diz defesa
Outro ponto abordado pelo advogado é a informação sobre armamentos que teriam sido encontrados durante a busca.
Segundo a defesa, as armas não pertencem e nunca pertenceram a Carlos Bernardo ou a seus familiares.
A nota afirma ainda que o empresário não frequenta habitualmente a propriedade e que não visita o local há mais de seis meses.
O advogado argumenta que eventual responsabilidade criminal não pode ser atribuída automaticamente ao proprietário do imóvel, defendendo que a origem, titularidade, registro e eventual responsabilidade sobre os objetos sejam individualmente apurados.
Defesa chama atenção para abandono da região de fronteira
A manifestação também desloca o debate para a questão da segurança na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul.
Segundo o advogado, a propriedade está localizada em uma região entre os rios Apa e Paraguai, caracterizada pela distância dos centros urbanos e, na avaliação da defesa, por dificuldades históricas de presença do poder público.
A nota menciona relatos de furtos, abigeato, invasões e outros crimes que atingiriam produtores rurais, trabalhadores e famílias que vivem na região.
Para a defesa, o episódio deveria também provocar uma discussão sobre a estrutura de segurança pública disponível para quem vive e trabalha no campo.
“A fronteira não pode continuar abandonada”, afirma a manifestação assinada pelo advogado.
Caso ocorre em meio à disputa eleitoral
Carlos Bernardo é candidato a deputado federal nas eleições de 2026. A defesa lembra que ele recebeu mais de 31 mil votos na eleição anterior para a Câmara dos Deputados, apresentando o dado como parte de sua trajetória política.
O advogado também critica o que considera um possível julgamento antecipado do candidato antes da conclusão da investigação.
A defesa sustenta que eventual responsabilidade deve ser definida a partir das provas produzidas no procedimento e de forma individualizada, respeitando a presunção de inocência.
Até o momento, a nota apresentada pela defesa não representa uma conclusão sobre o resultado da investigação. Eventuais responsabilidades, se existentes, deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.
Carlos Bernardo, por meio de seu advogado, afirma que permanecerá colaborando com as instituições responsáveis pela investigação e que aguarda o esclarecimento dos fatos.
O espaço permanece aberto para manifestação das autoridades responsáveis pelo procedimento e de eventuais envolvidos citados no caso.

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