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Campo Grande,10/09/2026

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7 de Setembro vira palanque político — e Capitão Contar mostra suas prioridades

Em vez de transformar a Independência em um momento de união nacional, Capitão Contar aproveita a data para fazer campanha e reforçar seu projeto pessoal rumo ao Senado


7 de Setembro vira palanque político — e Capitão Contar mostra suas prioridades Imagem: Pedro RCL

O 7 de Setembro deveria ser, acima de tudo, uma data de união. É o momento em que o Brasil celebra sua Independência, sua história, seus símbolos e, principalmente, a ideia de uma nação que precisa estar acima das disputas partidárias.

Mas, em Mato Grosso do Sul, a data acabou ganhando também contornos de palanque político.

O candidato ao Senado Capitão Contar aproveitou as celebrações desta segunda-feira para reforçar sua presença política e seu projeto eleitoral. A estratégia pode até fazer sentido do ponto de vista de campanha, mas levanta uma pergunta que precisa ser feita: é realmente isso que a população brasileira está precisando neste momento?

O Brasil atravessa uma das fases mais delicadas de sua história institucional recente. O Supremo Tribunal Federal vive uma crise de credibilidade e enfrenta questionamentos públicos sobre os limites de sua atuação. O ministro Alexandre de Moraes tornou-se personagem central de uma série de controvérsias políticas e institucionais, enquanto o chamado caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro acrescentou novas dúvidas e cobranças por esclarecimentos.

É justamente nesse cenário que se esperaria dos candidatos ao Senado algo maior do que a simples mobilização de militantes.

Onde está a agenda para o Brasil?

Capitão Contar construiu sua trajetória política justamente em torno do discurso de enfrentamento e defesa de pautas conservadoras. Porém, quando se coloca novamente como candidato ao Senado, a cobrança passa a ser outra.

O eleitor não precisa apenas de alguém que saiba fazer oposição, levantar bandeiras ou mobilização de cabos eleitorais.

Precisa saber o que esse candidato pretende fazer quando chegar ao Senado.

Qual será sua agenda para recuperar a economia? Como pretende enfrentar o déficit público? O que propõe para reduzir a máquina estatal? Como pretende combater a corrupção? Qual será sua posição diante da concentração de poder nas instituições da República? Que reformas pretende defender? Como pretende melhorar a segurança pública, a saúde e a educação?

Essas são as perguntas que deveriam estar no centro do debate eleitoral.

Transformar uma data nacional em mais um episódio da disputa política pode gerar imagens, manchetes e engajamento nas redes sociais. Mas não necessariamente apresenta ao cidadão aquilo que ele mais precisa: propostas concretas para tirar o país da crise.

O Brasil precisa de estadistas, não apenas de candidatos

O problema não está em defender posições políticas. Democracia pressupõe exatamente isso: divergência, debate e disputa de ideias.

O problema aparece quando a política passa a girar excessivamente em torno das próprias figuras políticas.

O 7 de Setembro pertence ao Brasil, não a um candidato, partido ou grupo ideológico.

E justamente por isso, a participação de Capitão Contar na data merece ser analisada também sob essa perspectiva: ele está apresentando um projeto para o país ou apenas consolidando sua própria candidatura?

A diferença é importante.

O Senado não deveria ser uma extensão de palanques eleitorais permanentes. É uma instituição que exige preparo, capacidade de negociação, fiscalização e, principalmente, visão de Estado.

O Brasil já tem políticos demais preocupados com a próxima eleição e de menos preocupados com os próximos 20 anos.

A população está cansada

Existe ainda outro ponto que não pode ser ignorado.

O brasileiro está cansado de crises sucessivas, escândalos, polarização e disputas institucionais que parecem não terminar nunca.

De um lado, acusações contra políticos. De outro, acusações contra ministros e instituições. No meio disso tudo, está o cidadão pagando impostos cada vez maiores, convivendo com serviços públicos deficientes, insegurança e uma economia que ainda precisa avançar muito para recuperar o poder de compra das famílias.

É nesse ambiente que candidatos ao Senado precisam apresentar respostas.

Não basta dizer contra quem estão. É preciso explicar a favor de quê estão.

É preciso explicar a favor de quê estão.

O verdadeiro desafio de Capitão Contar

Se pretende representar Mato Grosso do Sul no Senado, Capitão Contar terá que mostrar mais do que capacidade de mobilização política.

Terá que apresentar uma agenda.

Uma agenda capaz de responder aos problemas concretos do Brasil e não apenas aos conflitos políticos do momento.

Porque, enquanto políticos disputam espaço nas redes sociais e transformam cada evento público em palanque, a população continua esperando respostas para questões básicas.

O 7 de Setembro deveria lembrar a todos que a República pertence ao cidadão.

E talvez essa seja a principal cobrança que deve ser feita aos candidatos: menos culto à própria candidatura e mais compromisso com um projeto de país.

No fim, o eleitor terá a palavra.

E será ele quem decidirá se quer eleger mais um político para a guerra permanente de narrativas ou alguém disposto a construir uma agenda capaz de enfrentar a crise ética, econômica e institucional que o Brasil atravessa.




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