R$ 34.954,50 em diárias em apenas seis meses: turismo institucional ou conta salgada para o contribuinte?
Enquanto boa parte da população faz malabarismo para pagar aluguel, supermercado e combustível, alguns representantes públicos parecem viver em uma realidade paralela quando o assunto é diárias de viagem.
Levantamento realizado pelo Regional Notícia, com base em informações disponíveis no Portal da Transparência da Câmara Municipal de Aral Moreira, aponta que o vereador Aroldo Martins de Mattos (PODE) recebeu, entre janeiro e junho de 2026, R$ 34.954,50 em diárias de viagem.
O valor chama atenção por si só. Mas um empenho específico desperta ainda mais questionamentos.
Conforme consta no Portal da Transparência, foi empenhado, em 03 de junho de 2026, o valor de R$ 4.194,54, referente à:
"Participação no 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, realizado pela Assomasul, bem como audiência institucional na Casa Civil, nos dias 08, 09 e 10 de junho do corrente ano, na cidade de Campo Grande/MS."
Na prática, trata-se de uma viagem de três dias. Fazendo uma conta simples, isso representa uma média de aproximadamente R$ 1.398,18 por dia.
A pergunta que qualquer contribuinte faria é inevitável: Campo Grande não possui hotéis com diárias menores?
Ou será que os preços na Capital entraram para o Guinness Book e ninguém ficou sabendo?
É evidente que diárias não se resumem apenas à hospedagem e podem incluir alimentação e outras despesas previstas na legislação. Ainda assim, o valor desperta curiosidade e merece explicações claras à população que financia esses gastos com recursos públicos.
Outro ponto que chama atenção é o montante acumulado em apenas seis meses: quase R$ 35 mil. Em muitas famílias brasileiras, esse valor representa mais de um ano inteiro de trabalho.
É justamente por isso que transparência não deve ser apenas publicar números em um portal. Transparência também significa explicar, justificar e demonstrar qual foi o retorno efetivo dessas viagens para o cidadão.
- Quais projetos foram conquistados?
- Quais recursos foram viabilizados?
- Quais benefícios concretos chegaram ao município?
São respostas que a população tem o direito de conhecer.
O papel da imprensa é fiscalizar o uso do dinheiro público. Questionar gastos públicos não significa acusar qualquer agente de irregularidade, mas exercer o controle social previsto pela Constituição Federal.
O Regional Notícia reafirma seu compromisso com a informação responsável e coloca este espaço à disposição do vereador Aroldo Martins de Mattos (PODE), da Presidência da Câmara Municipal e dos demais envolvidos para apresentação de esclarecimentos, documentos ou manifestação, em respeito aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do direito de resposta. Eventuais manifestações serão publicadas integralmente, sem qualquer custo, preservando o equilíbrio da informação e o interesse público.


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