Quando o fiscal vira alvo: vereador denuncia ameaça de morte em obra pública em Campo Grande
Em um país sério, vereador que fiscaliza obra pública recebe relatório técnico. No Brasil de hoje, em certos lugares, recebe ameaça de tiro no rosto
O vereador Leinha (Avante), no exercício legítimo de sua função constitucional de fiscalizar contratos e serviços pagos com dinheiro do contribuinte, afirma ter sido ameaçado de morte durante uma vistoria em uma obra de asfalto e drenagem no Jardim Campo Grande assistiu nesta semana a uma cena que deveria envergonhar qualquer cidadão que ainda acredita na autoridade da lei e no respeito às instituições. O vereador Leinha (Avante), no exercício legítimo de sua função constitucional de fiscalizar contratos e serviços pagos com dinheiro do contribuinte, afirma ter sido ameaçado de morte durante uma vistoria em uma obra de asfalto e drenagem no Jardim Botafogo.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na Depac-Cepol, o parlamentar relata que ouviu do responsável pela empreiteira a promessa grotesca de que “levaria um tiro na cara”. Tudo isso porque ousou fazer perguntas. Perguntas simples. Perguntas que qualquer cidadão faria ao ver uma obra pública se arrastando por aproximadamente oito meses, deixando crateras abertas, transtornos aos moradores e até danos estruturais em imóveis vizinhos.
O caso ocorreu na Rua Caicais, ao lado da USF Jardim Botafogo. Ali, onde deveria haver máquinas trabalhando em ritmo acelerado para entregar melhorias à população, o cenário descrito é de lentidão, abandono e tensão. E quando o vereador questionou sobre um muro danificado supostamente pela obra, a resposta não veio em forma de explicação técnica, mas de intimidação.
Curioso como certos setores parecem tratar fiscalização pública como afronta pessoal. Como se vereador tivesse de pedir licença para entrar em área pública. Como se dinheiro do pagador de impostos fosse patrimônio privado de empreiteiro protegido por gritaria, xingamento e ameaça.
Mais grave ainda é o relato envolvendo trabalhadores vivendo em contêineres dentro da obra, incluindo imigrantes venezuelanos que, segundo o vereador, poderiam estar sem documentação regular. A denúncia anunciada ao Ministério do Trabalho adiciona uma camada ainda mais delicada ao episódio. Afinal, quando falta transparência em uma ponta da obra, normalmente começam a surgir problemas em outras.
A Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar foram acionadas. Nenhuma arma foi localizada. Mas convenhamos: ameaça não deixa de existir apenas porque o revólver não apareceu na cintura do suspeito naquele instante. A intimidação verbal, quando dirigida contra um agente público em pleno exercício do mandato, representa ataque direto à própria democracia local.
É preciso dizer o óbvio que muitos preferem sussurrar: vereador não é enfeite de sessão solene. Fiscalizar é obrigação. E quando um parlamentar vai pessoalmente ao local, encara poeira, barro, reclamação de moradores e possível confronto para cobrar respostas, está fazendo exatamente aquilo que a população espera de um representante eleito.
O episódio lança luz sobre uma realidade desconfortável: há setores acostumados demais com ausência de cobrança. E quando alguém aparece exigindo explicações, a reação vem no velho estilo coronelista — primeiro a arrogância, depois a ameaça.
Campo Grande merece obras concluídas, respeito ao dinheiro público e segurança para qualquer autoridade exercer sua função sem precisar ouvir promessa de execução no meio da rua.
A reportagem segue aberta para manifestação da empresa responsável pela obra e dos envolvidos citados no caso, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme prevê a legislação vigente.


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