Impasse com advogado faz juíza adiar audiência sobre fraudes no Detran-MS
Um impasse com o advogado do despachante David Cloky Hoffaman Chita fez a 2ª audiência sobre um dos casos de corrupção no Detran-MS
Despachante David Chita é apontado como um dos líderes do esquema de fraude. (Leonardo de França, Jornal Midiamax) A defesa não teve tempo hábil de “entrevistar” o réu, o que afetaria o trabalho com as testemunhas que seriam ouvidas nesta audiência, marcada para acontecer no Fórum de Campo Grande.
Atualmente, David está preso e, por isso, a defesa enfrenta algumas burocracias na Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), como a permissão para “visitar” o réu com apenas 220 páginas dos autos — ou seja, levariam ao menos 35 idas do advogado ao presídio para repassar a ação completa.
Estavam previstas sete testemunhas para o dia, mas apenas um servidor do Detran-MS — que na época dos fatos atuava na parte técnica do órgão — chegou a ser ouvido. Após esta oitiva, Tavares teve 10 minutos para conversar com David.
Depois de rápida conversa, a defesa pediu que a Justiça adiasse a audiência, para que pudesse se inteirar sobre o processo e, assim, devidamente questionar as testemunhas. Então, a juíza Eucelia Moreira Cassal remarcou as oitivas para 14 de abril e dispensou as demais testemunhas.
‘Supergirl’ se livrou de tornozeleira
Antes da audiência começar, a Justiça já havia permitido que a “supergirl” do Detran, Yasmin Osório, fosse dispensada de acompanhar os depoimentos após pedido da defesa, pois estava com o filho pequeno.
Além disso, durante a audiência, a Justiça deliberou sobre um habeas corpus de Yasmin. Meses atrás, foi determinado que ela usasse tornozeleira eletrônica — o que não foi cumprido.
Entretanto, nesta segunda, a Justiça revogou a determinação, mas manteve as medidas cautelares, como não se aproximar de servidores do Detran.
Na 1ª audiência, no fim de janeiro, a Justiça ouviu servidores do Detran-MS e os réus.
Fraudes no Detran-MS
Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de pelo menos 29 veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.
De acordo com o relatório de investigação policial, que está em sigilo, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joia e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.
Yasmin também chegou a ser presa, mas foi solta ao descobrir que estava grávida. Ela foi exonerada do Detran-MS e atualmente cumpre prisão domiciliar, com monitoramento de tornozeleira eletrônica. Ela foi nomeada como ‘Supergirl heroína do trânsito’ em eventos educativos do Detran-MS.
Além disso, David Chita foi condenado ano passado a seis anos, no regime semiaberto, pelo roubo de propina de R$ 270 mil, no caso da Operação Vostok.



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