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Campo Grande,23/06/2026

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Escândalo Político em Campo Grande: Prefeita Adriane Lopes e Vice Enfrentam Pedido de Cassação por Compra de Votos

Partidos DC e PDT acionam o TRE-MS para cassar os mandatos de Adriane Lopes e sua vice, Camilla Nascimento de Oliveira, por abuso de poder e compra de votos. Testemunhas relatam um esquema "escancarado e vergonhoso"


Escândalo Político em Campo Grande: Prefeita Adriane Lopes e Vice Enfrentam Pedido de Cassação por Compra de Votos Adriane Lopes (PP), tomou posse como a primeira mulher na história eleita prefeita de Campo Grande, ao lado de sua vice, Camila Nascimento. Foto: Prefeitura de Campo Grande

O site Regional Notícia teve acesso a um recurso de grande repercussão apresentado pelos partidos Democracia Cristã (DC) e Partido Democrático Trabalhista (PDT), que pleiteiam ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) a cassação dos mandatos da prefeita Adriane Lopes e de sua vice, Camilla Nascimento de Oliveira. O processo, registrado sob o número TRE/MS-RECEL-0600364-30.2024.6.12.0036, encontra-se sob relatoria do desembargador Alexandre Antunes da Silva.


Acusações Graves e o Uso da Religião no Palanque Político

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) sustenta que Adriane Lopes teria cometido abuso de poder econômico e político, além de explorar a fé religiosa como instrumento de campanha eleitoral. Entre as irregularidades apontadas, destacam-se:

Realização de campanha eleitoral dentro de templos religiosos, com ênfase na Assembleia de Deus Missões (ADM);

Utilização de líderes religiosos como cabos eleitorais, convertendo fiéis em massa de manobra política;

Nomeação de pastores e dirigentes religiosos em cargos públicos, em aparente retribuição pelo apoio eleitoral;

Eventos religiosos com viés eleitoral, como o encontro "Mulheres que Transformam", utilizado como palco para promoção política;

Discurso de polarização moral, no qual Adriane Lopes teria se colocado como representante do "bem", enquanto associava sua adversária, Rose Modesto, ao "mal".

Apesar da gravidade das acusações, a Justiça Eleitoral concluiu que não há elementos suficientes para a configuração do abuso de poder religioso. Uma decisão que, para muitos, beira o milagre jurídico.

Compra de Votos e Pedido de Cassação: O "Investimento Eleitoral" Escancarado

Se por um lado a prefeita conseguiu se esquivar da acusação de abuso religioso, por outro, as evidências de compra de votos pesam contra sua campanha. O TRE-MS identificou indícios robustos de captação ilícita de sufrágio, com assessores e coordenadores de campanha supostamente distribuindo benefícios em troca de votos, sobretudo nas regiões periféricas de Campo Grande.


Testemunhas ouvidas no processo foram categóricas ao descrever o esquema como "escancarado" e "vergonhoso", reforçando a suspeita de uma atuação orquestrada para influenciar o resultado das eleições.

Diante desse cenário, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (PRE-MS) emitiu parecer favorável à punição das rés, recomendando:

Cassação dos mandatos de Adriane Lopes e Camilla Nascimento de Oliveira;

Declaração de inelegibilidade por oito anos, impedindo-as de disputar cargos eletivos nesse período;

Aplicação de multa eleitoral, como sanção pecuniária pelo ilícito praticado.


Base Legal: A Lei se Aplica a Todos?

O pedido de cassação encontra amparo em dois dispositivos centrais do direito eleitoral:

Lei das Eleições (Lei n. 9.504/97, art. 41-A) – Prevê a cassação do registro ou diploma do candidato que oferecer vantagens materiais em troca de votos;

Lei Complementar n. 64/90 (art. 22, inciso XIV) – Determina inelegibilidade por oito anos para quem for condenado por abuso de poder econômico ou político.

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reitera que a captação ilícita de sufrágio constitui uma afronta à lisura do processo eleitoral, comprometendo a igualdade de condições entre os candidatos e corroendo os pilares do sistema democrático.


O Futuro Político de Adriane Lopes em Xeque

A decisão final caberá ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Caso a cassação seja confirmada, novas eleições poderão ser convocadas para definir o futuro da administração municipal.

No entanto, a batalha jurídica pode não se encerrar em âmbito regional. Recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são praticamente certos, prolongando a indefinição e arrastando o caso para os tribunais superiores.

Enquanto isso, a população de Campo Grande assiste a mais um capítulo turbulento da política local, onde a disputa pelo poder se desenrola mais nos tribunais do que nas urnas.


O Regional Notícia tentou contato com a prefeita Adriane Lopes e sua vice, Dra. Camilla, mas até o fechamento desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações das partes envolvidas.







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